quarta-feira, novembro 30, 2005
dizem que a paixão dura um ano

Domingo, mesmo depois da extasiante noite anterior, eu não consegui ficar em casa de pernas para o ar com meu Paul Auster no colo,vendo o dia passar pela janela. Fui almoçar com amigos num bairro japonês, fizemos comprinhas e depois fomos ver uma dupla alemã tocar. Sono! O show deu muito sono, mas também depois de uma noite como a de sábado, é impossível não sucumbir ao sono com uma banda mediana.

A noite caiu e eu voltei para casa, onde fiquei colocando umas bagunças em ordem e logo já corri para fazer uma produção basica, desenterrar umas roupas do armário e ir para uma outra festinha. Como diriam por aí: final de semana com 100% de aproveitamento.

***

Hoje mandei um email para R. Tive uma paixão efêmera e agora guardo apenas uma deliciosa lembranças, mas sem sentir aquele friozinho na barriga. Estou cada vez mais convencida de que o que importa é a intensidade da relação do que a relação em si. Costumamos nos prender ao tempo. Eu tive alguns namoros e não foi o mais longo que foi o mais intenso. Não foi o mais intenso que foi o melhor ou o pior. Hoje li uma matéria, em que cientistas afirmam que a paixão dura exatamente um ano. E depois disso, o que é? É sempre amor? Ou pode ser aquela maldita dependência [ou mero costume] que criamos pelo outro? Eu amei duas vezes. Já me apaixonar, eu mal consigo contar. Vivo apaixonada.

Eu já namorei por sete anos, depois por dois, depois por três... cada namoro teve um formato, uma dinâmica e uma intensidade diferente. Uma das relações que mais me marcou foi uma que durou exatamente seis dias, sendo que o primeiro beijo rolou no terceiro dia após nos conhecermos. A segunda relação mais intensa foi meu namoro que durou quase três anos, em que eu cheguei a perder parte da minha sanidade e fiquei a um fio da loucura.

Foi um namoro que tinha altos e baixos constante e meu lado racional gritava para eu dar fim àquela história que tanto me fazia mal. Mas sou insistente. Fui até o fim. Ah, talvez eu seja mesmo é masoquista. Quem não curte levar uns tapinhas? Minha relação não era de tapas e beijos, mas de agressões verbais, lágrimas desnecessárias e por fim, ganhei uma bela gastrite.

Não posso afirmar que só eu me desgastei, mas fiz o máximo para T ter uma pessoa bacana ao lado. Dei de mim muito mais do que sempre dei a alguém na vida. Nunca fui tão dedicada, tão paciente, tão amiga. E ainda o namoro acabou porque eu fui a grossa no final da história.

Enfim... chateação a parte, hoje eu chego à conclusão que mereço mais. Não que ele seja pouco. Não é. É uma pessoa e tanto. Especial. Só não está pronto para ter uma relação comigo. Pretensão a parte, eu me sinto a alguns anos luz dele. Ele vai me alcançar, mas vai demorar um pouquinho. Enquanto isso... próximo!!

Por isso R apareceu no momento certo. Desde que T me mandou passear, eu me meti numa busca desenfreada por alguém que apaziguasse a minha dor. Só apareceram tampões. Ninguém conseguiu de fato fazer eu coloca-lo de lado. Acho mesmo que eu estava ligada num amor platônico com ele [assim disse um outro amigo]. Essas emoções, boas ou ruins, servem para fazer a gente se sentir viva. E eu insisto, insisto, insisto... e sofro, sofro, sofro.

R foi a redenção. Uma paixão que durou uma semana. Voltei para cá cheia de desejos, mas ah, eles já quasem não existem. Não que R não seja o que eu quero. Ele é exatamente o que eu quero, mas não dá. Hora errada. Um quer uma coisa, o outro quer outra. Então para que insistir, não?

Agora o vazio é porque eu adoro ter alguém em quem pensar quando coloco a cabeça no travesseiro. Ontem pensei no vibrador que eu deveria comprar, pois para noites vazias, ele pode ser uma grande companhia. E ser balzaquiana não é fácil.

Sábado fui num casamento, no próximo sábado irei em outro. Eu queria jurar amor eterno a alguém, mas sinto que nasci para viver muitas histórias e eu tremeria na base se tivesse que fazer tal juramente, afinal eu mudo tanto de idéia.

Postado por Desiree às 12:50 AM | 1 comments



domingo, novembro 27, 2005
perfect night

Ontem o dia foi corrido como eu já esperava. Pela manhã me dei conta de que o vestido que eu separei para a festa não era adequado. Estava chovendo e frio. A festa seria num sítio no alto da serra, que já é bem mais frio do que aqui embaixo.

Um amigo, que há muito eu não via, veio me buscar. Insisti no vestido, mas troquei o sapato e optei por sandálias de plásticos e plataforma, assim não corria o risco de ver meu salto afundado na lama. Escolha acertada.

Lá fomos nós. Chegamos e o local já estava lotado. Ao meio-dia nos reunimos num jardim com bancos brancos, uma chuva muito fina e pessoas bem vestidas, mas tentando driblar seus saltos que insistiam em penetrar a terra molhada.

A festa era um a casamento do irmão de uma grande amiga. A cerimônia foi bem simples e sem grandes emoções. Logo eu que sempre me emociono em casamentos e me afundo em lágrimas. Dessa vez não soltei uma sequer. Até fiquei ansiosa para que terminasse logo, pois aquela chuva fina e minha fome estavam atrapalhando minha concentração.

Dançamos bastante. Tomei uma garrafa de champagne e belisquei um monte de salgadinhos deliciosos, enquanto me distraía com conversas fugazes. No final, um café para reanimar e só às 18h20 é que cheguei em casa, já bem sonolenta e preocupada em driblar o sono, pois uma das noites mais esperada do ano seria dali a algumas horas.

Tudo muito organizado e muita gente bonita. Bebi pouco, dancei bastante e me emocionei além da conta. Show da vida! Noite perfeita e com amigos perfeitos. Noite em que eu não precisei de mais nada além deles. Não pensei sequer nos meus amores desfeitos, na minha paixão não concretizada. Eu era só felicidade.

Alguns amigos me deixaram bodeada, mas nada como disfarçar e sumir na multidão. Eu não queria falar e eu só queria fechar os olhos e sentir aquela vibe maravilhosa que estava rolando. No último show a minha cabeça estava explodindo de dor, então não resisti em deixar uma pílula da felicidade [que eu nem estava precisando, mas sabia que disfarçaria meu cansaço e deixaria minha sensibilidade ainda mais à flor da pele] escorregar pela minha garganta.

Não demorou muito a fazer efeito. Primeiro bate aquela sensação de desconforto, que me deixa irritada e depois vem aquela sensação indescrítivel, que é capaz de fazer com que qualquer mazela que a aflige desaparecer. Mente vazia, sorriso nos lábios, boca calada e então aquela vontade louca de dançar, de deslizar as mãos pelo corpo e de sentir cada nota musical atravessar o ouvido e ficar. É tão mágico e não tô nem aí que seja artificial, porque para mim não é, eu só fico mais feliz [e disposta] do que já estou.

Se a noite estava mágica, ela ficou ainda mais. Saí de lá flutuante... em casa, ainda um pouco derretida, entrei no chuveiro e lá fiquei com a sensação da água penetrando nos meus poros, para então afundar a cabeça no travesseiro e dormir querendo mais.

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sábado, novembro 26, 2005
descoberta

Hoje, enquanto jantava com dois amigos, eu descobri [quase estupefata, mas não o suficiente para entrar em choque] que uma amiga está apaixonada por F. É, o F com quem eu tive um affair, mas que dei cabo nele quando eu o encontrei beijando justamente esta minha amiga. Até fiz um post a respeito num momento de muito ódio. Passou.

Como estou a poliana do bairro, eu até gostaria que rolasse uma história bacana entre eles. Sei que as chances são poucas, mas enfim, essa vida é tão estranha e tudo pode acontecer. Ok, ele não quis nada comigo e de repente vê-los namorando pode fazer eu querer gastar uns trocados numa sessão de terapia. Mas não porque eu queira ter algo com ele, acho até que nossa relação ficou fraternal demais e o tesão foi para o espaço. É que somos egoístas. É, que se um dia fomos dispensado por alguém, e de repente este alguém resolve namorar sua amiga, você tem que ter uma boa auto-estima para não começar a achar que o etzinho ali sempre foi você.

Tudo isso passaria em uma semana ou, quem sabe, um mês. Por outro lado, minha amiga ficaria feliz, faria sexo com freqüência, ficaria menos deprimida e eu me preocuparia menos com ela. Fora o humor que fica ótimo, a pele que fica linda. E ela teria um namorado, que é uma das coisas que ela mais quer.

Será que levo jeito para cupido? Para poliana eu já descobri que levo...

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duel

A semana foi turbulenta. O mês foi turbulento. O ano tem sido bem turbulento. Na quarta-feira eu tive vontade de sumir. Mudar de ares, conhecer gente nova, fazer coisas diferentes. Meu amigo R. disse que era fuga. E eu me perguntei do que eu poderia estar fugindo? Eu apenas queria relaxar e aqui está sendo impossível.

Eu insisto em driblar minha ansiedade e dar cabo nas minhas expectativas. Não sou boa nisso. Sonho. Espero. Idealizo. Claro que nada acontece. Nunca acontece. Preciso começar a pensar ao contrário. Na segunda-feira recebi um email. Daqueles emails que não dizem muito. Três linhas apenas. Como sou mais empolgada, escrevi umas trinta linhas, porém não houve resposta. Apenas hoje é que houve um sinal de vida e desanimador.

O lado bom é [ porque sempre tem um lado bom, afinal eu ando a poliana do bairro] que estou ótima! Hoje D. aparececeu. Os amigos também. Quando me dei conta, a casa estava cheia. Mal pude conversar com D., que pareceu um pouco chateado [pode ser pura pretensão minha] por eu tê-lo colocado temporariamente na geladeira. Agora sei como é. Também estou na geladeira. Abram a porta, pois quero derreter.

E decidi, amanhã eu derreto!

Antes, porém, tenho um daqueles compromissos sociais a cumprir. Quem, na santa sanidade, marca uma festa em pleno sábado às 10h? A moda agora é brunch. O duro foi escolher a roupa. Queria cortar os cabelos e não deu tempo. A franja está horrível. Fiz as unhas. Não fui à depilação e terei que apelar para o giletão, que ninguém merece, pois não terá jeito. Chegar num vestido lindo e debaixo dele tentar esconder pernas peludas, não dá! E lá vou eu sacrificar as minhas pernas queridas por algumas horas de glamour. É, porque a festa vai ser chique. Eu queria parecer recém-saída de um comercial da Níveal, mas não tem jeito, as olheiras andam insistentes.

A tiracolo, um velho pretê. Daqueles que não dá em nada. Você o conhece numa festa, conversa a noite inteira, ri junto e no final ele confessa que você foi a salvação dele, pois ele foi para lá por pura obrigação. E então o contato se resume à internet, porque tudo que tentam marcar dá errado. Passa-se um ano e esfria. Há umas semanas atrás eu o necontrei numa festa. Achei-o diferente e menos interessante. Talvez eu estivesse mais carente na época em que eu o conheci. Ou mudei. Sei lá. O jeito dele não tem nada a ver comigo.

E amanhã lá vamos nós dois bater cartão numa festa às 10h da manhã. Ele disse que vai do jeito que costuma sair. Fiquei com medo, pois na última vez que eu o encontrei, eu tive a impressão que ele estava de bata. Não gosto de batas. Eu falei que não sabia se a escolha do meu figurino estava muito dentro do padrão da festa. Ele falou "não se preocupe, você se veste muito bem". Hoje foi a segunda vez que ouvi isso. Eu não acho que me visto bem. Sou o ser mais básico da região. Talvez sejam os sapatos, se bem, que ultimamente, eu ando com os pés enfiados em tênis. Tão confortáveis e eu os neguei por tantos anos.

À noite tem show. E show daqueles imperdíveis em que todos seus amigos irão. Aí você tem quatro motivos para ir:

1) todo mundo vai e ficarão semanas comentando e fazendo você morrer de inveja por não ter ido
2) as pessoas mais bonitas e interessantes reunidas por metro quadrado
3) o melhor evento da noite de sábado
4) você ama as bandas

Ultimamente não dá para dispensar grandes eventos, pois se você deixa de ir em um, você fica algum tempo com a sensação de que esteve passeando em outro planeta, já que parece ser a única pessoa que não foi. Muita gente vai apenas por ir. O problema é a grana. Estou na fase de comprar tomates no cartão de crédito.

Acho que o sábado promete... e hora de estender roupa, pois essa vida de solteira e dura é isso. Você não sai na sexta à noite porque tem uma pilha de roupas para lavar e já está sem calcinhas para vestir.. O jeito é começar a lavá-las no banheiro e pendurá-las no vitrô. Se elas ainda fossem coloridas. Só uso calcinha preta.

E na semana que vem eu começo um mega checkup... decidi que em 2006 eu quero abalar estruturas humanas. Estou cada vez menos boazinha.

Postado por Desiree às 12:42 AM | 0 comments



quarta-feira, novembro 23, 2005
I´m in love

Estou apaixonada. Talvez seja daquelas paixões arrasadoras, que vêm como um furacão e vão embora sem nem percebermos. Não importa. O que é importa é que estou apaixonada. Borboletas se mexem na minha barriga. Aquele friozinho que eu não sabia mais o que era, voltei a sentir. Apaixonei-me por uma das pessoas mais fascinantes que conheci nos últimos tempos.

R. é exatamente meu número, para simplificar. Quase a mesma idade que eu. Estilo moderno e usa all-star, cabelos desalinhados, óculos de aro preto, nariz afilado. É descolado, divertido, sarcástico, inteligente, tem um gosto musical invejável e me virou do avesso como poucos. Separado, tem filho, paizão e foi uma das poucas pessoas que conheci que eu tive aquela sensação incrível de liberdade. É o que é e ponto. Gosta do que gosta e ponto. Não faz média. Não tenta ser nada. Já é bastante. Posso ser homem, posso ser mulher. Fez cair por terra teorias furadas que eu carregava comigo.

É viciado em café e cigarros. Lê compulsivamente. Adora cinema. Gosta de pessoas. É individualista. Mostrou-me um monte de coisas novas, fez eu ver o mundo sob outro ponto de vista e fez eu me sentir à vontade em ser eu o tempo inteiro. Falei bobagens sem medo, fiz piadas grotescas, que mesmo ele não achando graça, eu não me senti nenhum pouco mal por contá-las. Passamos a madrugada tirando fotos, ouvindo música e conversando. Como poucas vezes acontece. Caminhadas intermináveis. Gostos parecidos. Conversa incrivelmente fluída. Silêncio agradável.

Assim como eu, não gosta de doces e não achou um absurdo eu não gostar de sorvete, pois também não faz a menor questão. Não curte chocolates e acha vinho indispensável. Adora a noite. Gosta de pessoas. É observador. É crítico sem ser. Ficou abismado por eu não ter um vibrador. Fascinou-se pelo meu jeito "pidão" na cama, pois disse que são poucas que ousam. E me proporcionou prazer como poucos.

Nada me fascina tanto quanto tesão físico e intelectual. Foi esse tesão que fez eu viajar 600km numa noite apenas para revê-lo e dois dias depois, fazer a mesma viagem para dar início a uma semana bem puxada.

Fez T. ser apenas uma doce lembrança e parecer ainda tão infantil. Coincidentemente, depois de seis meses, T. me ligou na sexta enquanto a mala pousava ao meu lado. Queria saber como eu estava. Apenas isso. Não consigo mais lidar com pessoas que tentam disfarçar suas emoções.

- Oi.

- Oi (estupefata). Que surpresa.

A voz impassível do outro lado.

- Liguei para saber como você está.

- Que bom, tenho saudades de você.

Silêncio.

- Como você está?

Não precisava ter ligado apenas para isso. Se quer saber como estou, me procure esparramada no mundo virtual. Vai saber exatamente como estou ao ler meu blog, ver meu fotolog e orkut. Liga e liga exatamente no dia que você tirou pó das suas asas e resolveu voar de novo. Liga para fazer você tremer, para você derrubar algumas lágrimas e trazê-lo à tona.

Mentiria se dissesse que a ligação não mexeu comigo. Mexeu, mas pela primeira vez, após me recompor pela surpresa [afinal foram seis meses de silêncio], voltei à excitação da viagem que rolaria dali a algumas horas. Foi a primeira vez em seis meses que eu não tive vontade de tê-lo de volta. E depois deste final de semana, ele se tornou tão infantil para mim em alguns aspectos, que não se encaixa mais nos meus anseios.

A chatice é que depois de alguém tão must passar na sua vida de forma avassaladora, você sabe que se tornará mais exigente. Que J. não tem mais espaço na sua vida, pois nos quesitos necessários para despertar o seu interesse ele está em falta. D. já nunca esteve mesmo muito dentro do perfil desejado. É inteligente, divertido, mas metódico e contido demais.

Curiosamente os americanos [que coincidentemente apareceram em profusão na minha vida em 2005] têm se mostrado muito além das minhas expectativas medíocres. Acho que preciso olhar mais para o oeste, porque ao meu redor eu estou fora dos anseios alheios e eles estão fora dos meus.

E agora é curtir essa sensação boa até que ela seja esmiuçada pelo tempo e então, restem lembranças deliciosas e capazes de me excitar por si só [e de todas as maneiras]. Nada como alguém que te chacoalhe sem querer e te dê um pouco da vida que estava lhe faltando.

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segunda-feira, novembro 14, 2005
quando eu me apaixono

Ultimamente tem tido gente nova na minha vida o tempo inteiro. Confesso que há uma busca desenfreada por alguém especial apenas para acalmar a alma que anda inquieta [mesmo que muitas vezes eu tente me convencer que não é verdade].

Viajei a trabalho na semana passada e resolvi esticar o final de semana por lá. Na sexta-feira fui a uma festinha falida com um amigo e depois tentamos a sorte em outra. O dia não era meu. Já um tanto entediada, sem ao menos ter vontade de tomar algo, os olhos sucumbindo ao sono, o pensamento inquieto e então, ele apareceu.

A princípio eu o achei um tanto blasé. Mal me olhou. Mal me cumprimentou. Falou com meu amigo, foi, voltou e eu era simplesmente um "nada" a sua frente. Ok! Era tudo que eu precisava para resolver ir embora, afinal eu parecia não ser muito bem vinda naquele lugar.

Entrei num taxi e então apaguei numa noite sem sonhos. Sábado fui acordada por outro amigo que sabia que eu estava na cidade. Fui encontrá-lo numa livraria charmosíssima, tomamos café, conversamos bastante e fomos passear num dos parques da cidade. O parque era belíssimo, mas um pouco mal cuidado. Tirei algumas fotos, conversamos sobre minha história inacabada e então ele me largou num outro parque.

Lá eu senti uma solidão tremenda. Chorei escondido enquanto apreciava orquídeas. Tirei fotos para disfarçar. Andei bastante, tomei café, observei as pessoas, pensei na minha vida e naquele vazio que há tanto se instalou e que eu não consigo preencher. De lá segui para a casa de um outro amigo e a tarde seguiu descontraída. Almoço em família, vinho à vontade para deixar tudo tão a flor da pele. Segui rumo ao meu albergue um tanto sonolenta e apaguei até o início da noite. Resolvi então caminhar pela praia e por lá fiquei um bom tempo apreciando o mar e com os pensamentos tão desordenados.

Terminei a noite no centro da cidade numa festa de rock, onde encontrei alguns amigos. Entre eles, o rapaz que havia me ignorado no dia anterior. A presença dele era meio incômoda a mim. Já no meio da madrugada nos cruzamos enquanto ambos tentávamos chegar ao bar e pela primeira vez começamos a conversar [e então ambos confessamos a antipatia que sentimos inicialmente um pelo outro]. Os dois já soltos pelo álcool e aquele incomodo que tinha se instalado entre nós, se dissipou. Ficamos conversando por umas duas horas e eu cada vez mais envolvida pelo bom papo dele, pelo humor ácido que me tirava gargalhadas.

Até então eu não achei que rolaria qualquer coisa entre a gente, mas várias cervejas depois, sem eu me dar conta, seus lábios dominaram os meus. Foi daqueles beijos doce, macio, sem pressa, gostoso. Eu iria embora no próximo dia. Ele daqui a alguns meses. Desci do táxi rumo a um quarto que não era o meu.

Passamos o final da manhã ouvindo música, conversando, beijando. Depois foi aquele abraço forte, mãos decididas, beijo guloso. A manhã não terminou. Mesmo arrastada para uma nova noite sem sonhos, com um corpo estranho ao lado e eu desnuda, apenas buscando conforto no lençol branco e nos seus braços estendidos.

O dia que se seguiu foi perfeito. Buscamos minhas coisas no albergue, almoçamos juntos, rimos bastante, conversamos sobre tantas coisas, quis pegar na sua mão, mas não consegui dar vazão a uma vontade tão simples. A tarde dormimos, andamos pela praia, tomamos cerveja, discutimos assuntos tão polêmicos e eu só me senti sendo seduzida, a cada palavra, a cada olhar, a cada risada... as borboletas que há muito tinham sumido, as borboletas que há três anos não apareciam, as borboletas que eu pensei terem morrido, as borboletas voltavam e eu era capaz de senti-las flamejantes na minha barriga.

Incrível como há um medo latente quando essa sensação, já tão esquecida, retorna. É a história que pode durar apenas horas e você eterniza-la. É a história que você quer repetir, mas que você sabe de todos os riscos. É a história permeada por incertezas. É você que parte, para depois ele partir. É um reencontro desejado, mas que você tem dúvidas se vai acontecer.

Histórias acontecem o tempo inteiro em nossas vidas e posso dizer que a minha é bem dinâmica. Carrego agora um medo bobo. Aquela insegurança infantil que a toma de assalto. Você sonha, você quer, você deseja, você parece conectada o tempo inteiro... e sabe, que sensível como é, pode acabar se chateando. As pessoas são sempre tão estranhas, tão instantaneas, tão intensas e paradoxalmente, tão rasas. Querem e não querem. Estão próximas e em segundos estão tão distantes. São tão intimas e tão estranhas.

A mala está ali...

Postado por Desiree às 7:43 PM | 1 comments



sexta-feira, novembro 04, 2005
fossa

Dandy Warhols e vinho, combinação perfeita para uma noite de fossa. Não queria que fosse assim, mas o cansaço físico misturado com emoções em frangalhos, faz com que nesses momentos não exista disfarces.

Fiz o que há tempos eu evitava fazer. Cacei lembranças, que deveriam ficar quase ausentes. Elas não somem. Por que tanta dificuldade em esmiuçar até desaparecer no ar essas lembranças que não mofam, mas se fazem presentes nos momentos mais complicados.

Ouvi o seu "alô" e na covardia de me revelar, eu apenas o deixei ouvir a música que eu estava ouvindo. Talvez ele desconfie [o que é mais provável] que tenha sido eu, pois não desligou o telefone. Não tive coragem de esboçar qualquer sinal de presença humana. Talvez a música na hora certa traduziu o que eu sentia.

Evito chorar, mas o vinho evidencia minha fragilidade, me desnuda, me deixa vulenerável. Evitei por tanto tempo o pensamento, as fantasias, as lembranças... e de repente, é como se tudo viesse à tona de uma só vez. O que restam são essas lágrimas que eu queria tanto conseguir evitar.

É incrível como o amor nos dilacera, como ele demora a se diluir. Não sei se existe amor para sempre, não sei se existe uma pessoa que é a tal pessoa da nossa vida, não sei se existe amor irreparável, não sei se existe pessoa inesquecível. Penso nele e tento descobrir o que tanto me segura nesse sentimento, que hoje me faz mal. Não sei. Apenas não sei.

Sei que hoje estou triste, sei que hoje eu queria tê-lo de volta, sei que hoje eu tô foda. Espero melhorar logo e acreditar que há outras pessoas tão especiais quanto.

Sou sentimental demais.

Postado por Desiree às 11:25 PM | 0 comments



quarta-feira, novembro 02, 2005
passaram-se três anos desde a nossa primeira vez

Amanhã fará 3 anos desde a primeira vez que nossos olhares se cruzaram. Amanhã faria 3 anos juntos caso estivéssemos juntos. Seria uma dia de comemorações. Uma quinta alegre, com telefonemas no meio do dia, com um delicioso encontro à noite. Não haverá nada disso. Apenas saudades e por mais que eu tente, eu nao consigo me livrar dela. Como disse um amigo "eta cicatriz difícil".

Essa última semana parece até que vivi um pequeno inferno astral pré-aniversário que não mais existirá. Não nos falamos mais. Não nos vemos mais. Do lado de cá, apenas lembranças e olhos borrados. Do lado de lá, eu não sei o que há.

Fiz as contas e já se passaram seis meses. Ao mesmo tempo que parece tão distante, parece que foi ontem. O pior é que há o meu lado que se sente culpado, que acha que poderia ter feito as coisas diferentes, que acha que errou e que não consegue se perdoar. Há um outro lado que apenas acredita que isso tudo foi uma mera desculpa para ele dar fim em algo que não queria mais. E, ainda, um terceiro lado que lamenta a falta de generosidade e compreensão dele de um dia difícil que passei, de um momento ruim que eu estava vivendo e que ele simplesmente não quis saber.

Ele disse que o ciclo deles tinha terminado, mas nunca consegui acreditar nisso, pois agora ele parecia mais maduro para viver uma relação bacana, para compartilhar tantas novidades, estávamos mais amigos. Os dias que antecederam o fim não foram realmente fáceis. Ele estava distante, brigando por bobagens, não querendo muita conversa. Claro que tudo isso faz com que eu acredite na hipótese simples de que ele apenas não me queria mais.

Vivo dizendo o quanto um fim é difícil para mim, mas esse parece o mais difícil final de todas as histórias que viveu na vida. Tão dolorido quanto a morte de alguém querido.

Tenho vivido rapidamente para não pensar. Tenho conhecido um monte de gente, me interessado por algumas e tentando dar cabo a esta dor infindável.

Espero que as coisas melhorem logo... porque não quero que essa dor faça aniversário.

Postado por Desiree às 10:37 PM | 0 comments