quinta-feira, junho 29, 2006
dialogo da semana
- Tem uma pergunta que quero fazer para você desde que te vi nesta festa. - perguntou um cara que conheci numa festa

- Ahn?

- Há três respostas e se você não quiser, não precisa responder.

Já imaginando o que viria, ri e falei para ele perguntar.

- Alternativa a - sim, você gosta de meninos. Alternativo b - sim, você prefere meninas. Alternativa c - você gosta dos dois e neste caso você ganha um bônus.

- E qual é o bônus?

- O casal.

- Ahn?

- A garota que eu te apresentei é minha namorada.

- Ah!

- E?

- Posso responder num outro dia?

Postado por Desiree às 8:27 PM | 7 comments



quinta-feira, junho 15, 2006
o amor
Hoje assisti 5x2 de François Ozon. Eis um diretor que gosto muito e me deixa de olhos vidrados com sua direção tão acertada. Com o filme de hoje não foi diferente. Em 5x2 se vê a reconstrução do amor, já que a história é contada de trás pra frente. Tudo começa desgastado até voltar a magia do primeiro olhar.

Isso não nos liberta da sensação de que romances costumam ter prazo de validade. Histórias como as dos nossos pais são cada vez mais raras. Não que isso seja bom ou ruim, mas é tudo diferente. Vejo meus pais, que já cogitaram a separação algumas vezes, mas preferiram o aconchego criado por tanto tempos juntos. Sem surpresas, sem muita emoção, sem tesão... mas a segurança de não ficarem sozinhos. Isso não é declarado e talvez nem seja real. Há carinho, mas sinto que está em outra esfera.

E aí penso nos meus romances, na intensidade em que eles surgem, como se desenrolam e como seguem geralmente para o mesmo fim. Reuno minhas histórias e busco vestígios do que poderia ter feito para que ela fosse diferente. Não encontro. Todas tiveram seu começo, meio e fim e não houve motivos, mesmo que ainda acreditando amar o outro, para estende-la. Quando é possível um revival, geralmente o que vem à tona é "somos tão diferentes". Porque mudamos e porque quando nos reencontramos já somos outras pessoas.

Às vezes, nas minhas ilusões, eu me imagino com alguém até o final dos meus dias e simplesmente vejo tais ilusões serem dissipadas pela minha própria intensidade. Nem estou falando de paixão, pois já tive longos namoros e vivi cada estágio de uma história de amor. De repente, o amor muda de estação. Difícil lidar com a falta de tesão, com o sexo mecânico e a falta de criatividade que abate o casal. Quantos anos são necessários? Eu consegui esgotar em oito anos, não mais que isso, até porque não deu tempo.

Conheço histórias que me fazem vibrar, mas são poucas. Talvez elas ainda não tenham tempo suficiente para eu achar que exista esse "até que a morte nos separe". Não funcionamos assim e muitas vezes insistimos apenas para nos fazer acreditar que sim, existe amor para sempre. Existe, mas acho que na maioria das vezes ele muda de estação.

Estou apaixonada e não fico pensando muito no amanhã, pois nem sei se de fato ele irá existir. E sou muito inconstante, por isso sempre quero alguém criativo ao meu lado, alguém que me instigue, que me provoque, que tenha aquele "conquistar" todos os dias. Raramente é assim. A maioria se acomoda. Eu também.

Claro que não há fórmula, não há ideal. Sofro sempre com os finais, mesmo que a história tenha durado três dias. Tento ser moderna, mas sou uma romântica desconcertada que adora sentir frio na barriga e o coração disparar. Por isso, quando minhas histórias terminam, eu imito François Ozon: volto no tempo, mas ao contrário dele que pontua toda a ironia que permeou a relação, eu busco tudo que foi bom e isso me conforta a faz eu querer uma nova história e novamente ter o "homem da minha vida" ao meu lado, afinal é muito pessimismo acreditar que há somente um.

Postado por Desiree às 10:46 PM | 8 comments



terça-feira, junho 13, 2006
dia dos namorados
Pensei em escrever sobre o dia dos namorados, as apreensões que toma conta de uns e expectativas em outros. Vi que meu dia de ontem já resume bem tal data, que é um pacote que pede criatividade, dinheiro e disposição.

Eu passei parte do dia de ontem aliviada por estar sozinha. Estava curtindo uma ressaca e meu maior objetivo do dia era dormir. Fiquei imaginando tendo que me arrumar, comprar presente [pois como todos, eu sempre deixo para última hora], enfrentar filas de restaurantes e depois estar com energia para virar a noite se enroscando e perdendo o fôlego.

Onde trabalho só se ouvia cochichos no telefone, entrega de flores, embrulhos de presentes na mesa. No msn, frases de amor e nos fotologs, fotos e declarações. Eu não tenho um namorado. Tenho uma pretensão. Porém, qualquer contato no dia de ontem foi impossibilitado pelos milhares de quilômetros que nos separam e o máximo que rolou foi um longo papo por msn, o que só atiça nossos desejos [e até a frustração, pois não funciono à distância].

No final do dia, junto com a fome, veio o tédio. Muitas vezes sou uma das vítimas das datas comerciais e me deixo levar por elas algumas vezes. Nunca fiz nada muito especial no dia dos namorados, pois só tive namorados que tem terror ao calendário capitalista. E, assim como alguns, deu aquela vontade de me aninhar num colo, dar uns beijos e se enroscar por aí. Desisti. O descaso do início do dia deu lugar a uma pequena depressão, que durou 15 minutos.

Retornando para casa, eu percebi que a cidade inteira comemorava a data, pois o trânsito era anormal para o horário. A maioria dos meus amigos namoram, então eu tinha sobrado. Um amigo, ainda muito solidário, ligou convidando para jantar com ele e o namorado. Não aceitei. Liguei para um outro amigo e com ele eu devorei minha massa e virei meu copo de Coca-Cola. A intenção foi cumprida. Queria jantar com alguém e jantei. Ainda ri um bocado. Nada nos padrões que o dia pede, mas quem disse que eu precisava de algum para matar a fome que sentia?

Depois, já jogada no sofá, minha amiga comenta:

- Estou me sentindo um fracasso.

- Jura? Por quê?

- Ah, porque eu não tenho um namorado.

- E isso a faz fracassada? Então o mundo está cheio deles e só nessa sala são duas. - e ri

- Você tem um namorado.

- Tenho?

- Ah, ele não está aqui, mas vocês namoram.

- Namorar para mim envolve uma troca completa que não é possível no momento, então eu não namoro. Eu tenho apenas um pretê.

- É diferente.

- Não é. Estou sozinha também. E pense pelo lado bom: estamos aqui de pijamas, largadas no sofá, vendo tv e podemos ir dormir a qualquer momento, sem ter que enfrentar qualquer cena romântica e abafar os bocejos.

A minha protagonista faz bico e a cortina se fecha.

Postado por Desiree às 12:55 PM | 7 comments