segunda-feira, janeiro 22, 2007
frustração na Second Life
A moda agora é a Second Life [e já tem a campanha "get a first life" que eu achei genial]. Como uma internauta compulsiva, eu já passei por lá, criei meu avatar, perfil e ando parecendo um zumbi tentando me encontrar neste mundo novo. E aviso: ele não é fácil, assim como não é fácil construir uma "first life".

Reparei que na Second Life todas as mulheres são gostosas, magras, bundudas e peitudas. Elas usam tops, roupas agarradas e tem olhar sexy. Os homens são todos malhados, bundudos e digamos, um estilo mais "gay". As pessoas voam, se teletransportam, fazem sexo, beijam na boca e trocam de roupa no meio da rua. E claro, elas não morrem.

O que me chamou atenção foi a construção do avatar, em que a maioria são seres perfeitos esteticamente. Eu resolvi construir uma imagem que não seja próxima a mim. Deixei com um aspecto meio gótico, roupas estranhíssimas e na Second Life eu optei por ser bem gorda. Pois bem, o resultado foi que as pessoas não se aproximam e só falam comigo caso eu pergunte alguma coisa. Sou ignorada na maior parte do tempo. Acho triste, mas tive alguns momentos divertidos como ser convidada para ir ao motel com um estranho, porém nenhum dos dois tinha dinheiro e então ele pediu para eu beijá-lo, mas na Second Life eu não sei beijar na boca, o que novamente me mandou para o limbo, afinal sou pobre, estou com vários quilos a mais, tenho péssimo gosto para roupas, cabelos estranhíssimos. Até aprendi a dançar [ridicularmente] e adoro voar, mas a vida por lá anda bem solitária.

Retorno à minha "first life", pois por aqui as coisas andam mais divertidas, as pessoas olham para mim, eu beijo na boca e posso ir além facilmente, eu danço direito... só falta mesmo voar! Mas quem precisa?

Postado por Desiree às 2:41 PM | 9 comments



sexta-feira, janeiro 19, 2007
eu e meus preconceitos
Sou dotada de alguns preconceitos e alguns são inúteis nas tentativas de extirpa-los. Como tenho um blog que inicialmente foi inspirado na extinta série "Sex and the city", eu não pude deixar de comparecer à Pachá, nossa Ibiza brasileira, para ver o ícone da house music, Miguel Migs, tocar. Qual a ligação dele com a série? Para quem não sabe, ele foi responsável pela trilha.

House não é exatamente o estilo que mais gosto, mas ontem descobri que sei muito pouco sobre música eletrônica e a velharia que ele tirou do case me causou uma hora de felicidade. Pois bem, quanto às expectativas com o som da festa, elas foram alcançadas.

Tive uma certa dificuldade em fixar em mim durante a festa, pois eu realmente não conseguia parar de reparar nas pessoas à minha volta. Esqueci que existia um outro universo além do que eu vivo, pois há tempos que eu não me deparava com ele.

Primeiro: foi o lugar que fui nos últimos tempos que tinha mais gente bonita por metro quadrado. E claro, mais gente sem estilo. Era produção de série:

- mulheres: a maioria loira, cabelos longos, lisos [os escandinavos perdem feio], seios grandes, corpo perfeito, bronzeadíssimas, calça justa ou shorts muito curto ou saia muito curta, salto altíssimo.

- homens: vários clones do Rico Mansur espalhados.

Descobri também que as mulheres são mais altas em relação ao meu universo. Primeiro me perguntei que fila elas pegaram antes de descer a terra que eu não vi? A má educação reina absoluta tanto na ala feminina quanto na masculina. Não quero generalizar, mas 80% fazia parte dos perfis acima.

Tudo é absurdamente over: o tamanho da casa, os preços, filas para pagar, a espera pelo carro no estacionamento. Fiquei aturdida!

E claro, quando a principal atração da noite entrou nas pickups, metade da pista saiu. E no banheiro o comentário era "eu queria mesmo era estar no Tiesto". Aí olhei para o espelho e assumi:

- Como sou preconceituosa, meu deus!

Claro que no meu universo também há produção em série: cabelos lisos, pretos, pele branca, meninas de estatura média com um grande número de magérrimas, all-star nos pés.

Em "Ibiza" [ou na Pachá, se preferir] é tudo muito sexual. O sex appeal GRITA! Tá, como dizia uma amiga "quem vai para a pista quer beijar". E na pista de ontem isso pareceu ainda mais gritante. Outra coisa interessante é que as lindas andam com as lindas, as mais ou menos com as mais ou menos. Vi poucas misturadas. Já o lance de que mulher linda não liga muito se o homem é bonito ou não, parece não valer neste universo, porque só vi casais apolíneos.

Claro que ao sentir um cara se aproximando de mim e dançando muito próximo, quase sentindo sua respiração no meu pescoço fez eu me sentir um pouco estranha, já que eu só não passo despercebida porque assim como eles são estranhos para mim, eu sou bem estranha para eles.

O resumo é que a noite foi ótima. Adoro experiências sociológicas e a auto-estima não foi atingida graças à rápida quase-encoxação do clone do Mansur.

Pensei como seria esta experiência para o quarteto nova-yorkino da série citada. A Carrie se penduraria no Miguel Migs, a Charlotte agarraria um advogado enfiado numa camisa listrada justa, a Miranda iria embora na primeira meia-hora e a Samantha levaria mr. Mansur para casa depois de transar no estacionamento. Simples assim, como diria um amigo!

Postado por Desiree às 6:34 PM | 2 comments



quinta-feira, janeiro 11, 2007
as donas fifis
A maioria de nós é vulnerável a fofoca. Eu ando vítima dela e o pior, os próprios amigos falando pelos cotovelos enquanto engolem suas cervejas geladas. Acho curioso como todo mundo sabe quem é melhor para você, menos você é capaz de enxergar isso. E às vezes erramos mesmo em nossas escolhas, mas eu nunca me importei muito com isso, afinal não dá para acertar sempre.

Você está saindo com alguém que não tem a simpatia dos seus amigos. Não está nem apaixonada e muito menos fazendo planos a longo prazo. Até se assusta, já que muitas vezes se pega planejando coisas com alguém que acabou de conhecer. Gosta dele, que costuma ser gentil, engraçado, não muitas afinidades intelectuais, mas uma paixão em comum, o que faz ter longas conversas deliciosas que você não tem há anos. Ele é carinhoso, gosta de sair, é gostoso, tem um beijo bom e na cama as coisas rolam muito bem.

Os seus amigos acham que ele não é adequado, talvez porque seja gay ou mesmo porque, no mundinho deles a sua atual companhia é “baiano”. Preconceito? Óbvio. Mas não a surpreende, já que vive cercada de alguns. E não liga, porque ao contrário deles, neste quesito não é mesmo preconceituosa.

Seus amigos até discutem a vida sexual dele, como se o conhecessem e fossem íntimos. Bisbilhotam o orkut dele, afirma até histórias que desconhecem. Enfim, enchem seu saco com tanta especulação.

Bissexualidade é algo que nunca foi um motivo para você perder o interesse por alguém, já que gay no seu mundinho é alguém que fica somente com alguém do mesmo sexo. Se fica com o sexo oposto e “comparece”, é bissexual. Isso não a preocupa, mas aí você se pergunta o porquê das pessoas gostarem tanto de cuidar da vida alheia. Será que é falta de emoção na própria vida?

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Feliz 2007!

Postado por Desiree às 6:36 PM | 6 comments