quinta-feira, agosto 31, 2006
ele simplesmente não está afim de você
Um dia desses cruzei com uma amiga que eu não via há anos. Logo fomos nos atualizando sobre nossas vidas e então ela pergunta em tom quase confidencial:

- Você já leu aquele livro do roteirista do Sex and the city?

- Hmmm... qual livro?

- O título é “Ele simplesmente não está afim de você”. Eu preciso ler este livro.

- Ah, não precisa. Eu te conto tudo!

- Você leu?

- E precisa? Sei a lista completa... quer que eu te fale?

- Claro! Manda.

Então comecei a tecer todas as obviedades de quando um cara não está afim de você. E claro, para cada constatação, uma desculpa do outro lado:

- Ah, mas é que ele acabou de sair de um relacionamento.

- Ele disse que quer ir devagar.

- Eu sinto que ele gosta de mim.

Ah, mulheres!! Sempre temos um fio de esperança [e desculpas] para acreditar que ele está afim quando na verdade ele já está sobrevoando outro terreno. Por que será?

Postado por Desiree às 3:31 PM | 11 comments



quarta-feira, agosto 30, 2006
nossa imagem pública

Estava discutindo com uma amiga há uns dias atrás sobre como nos comportamos em público. Ela estava muito preocupada porque um pretê que a conhecia apenas virtualmente atravessou a cidade para se deparar com ela pendurada no pescoço de outro em uma festa. Claro que isso já era quase final de madrugada, todos os copos já estavam vazios e o lado racional, que ainda existe, tinha dado curto circuito. Ela nem se deu conta de que foi vista. No dia seguinte eu disse que tinha sido uma grande sorte não terem se encontrado, pois ela realmente tinha pisado na jaca e poderia causar uma má impressão sendo vista pela primeira vez em estado tão ululante.

Claro que após sumiço de quase um dia, a minha amiga se preocupou e teceu algumas teses, sendo a que ele a tinha visto, mas não tinha curtido era a que mais lhe causava aflição. Tentei acalma-la a não tirar conclusões precipitadas, pois domingo costuma ser um dia em que as pessoas ficam bodeada.

Depois de um tempo o sujeito deu sinal de vida e expôs o ocorrido. Ela ficou num misto de alívio e incredulidade. O que rolou é que ao chegar no recinto, o moço se deparou com minha amiga com “outro”, conforme eu entreguei no início do texto. O problema é que as situações ainda não possuem legendas, o tal amigo era gay e eles estavam apenas em um momento “fofo” festejando a amizade, já para ele a leitura foi outra.

Tudo colocado à limpa, conceitos revistos, afinal nunca sabemos quem está nos olhando em público, por isso que em raríssimas vezes eu marquei encontros com pretês virtuais em festas [se bem que há um bom tempo que não tenho um], pois nunca sabemos em que horário ele pode chegar e se de fato vai aparecer.

Ficamos uma hora discutindo a fio nosso mau comportamento. Eu já tive fases em que me entregava efusivamente aos meus amigos gays numa pista de dança. Depois de notar que as chances de alguém se interessar por você são mínimas [afinal quem vai te levar à sério?], eu comecei a me comportar [ok, às vezes eu perco o rebolado] e as coisas fluíram melhor a meu favor.

Uma outra amiga também com um pretê virtual foi encontrar o sujeito. Tudo saiu bem. O papo fluiu, deram risadas, trocaram olhares. Aparentemente pareciam encantados um com o outro. Ele foi deixá-la em casa e para a sua surpresa não houve sequer uma tentativa de beijo. Claro que ela se frustrou. Tentei convencê-la de que não precisa ter beijo logo no primeiro encontro, mesmo que haja algum interesse. Ele pode ser tímido, ele pode ter curtido e achado que vale a pena ir devagar ou claro, pode ter gostado dela como pessoa, mas não ter rolado química. Isso acontece o tempo inteiro e não é fim do mundo. Já não diziam num filminho nacional que eu esqueci o nome que sorte daquele que se apaixona por alguém que se apaixona por ele também, afinal quantas pessoas há mesmo no mundo?

Perguntou-me se deveria enviar um torpedo. Eu sugeri esperar até o dia seguinte para sentir qual era a dele. Estou aprendendo dolorosamente que precisamos ter paciência quando estamos afim de alguém. Ela concordou, mas fechou a noite com:

- Ah, eu enviei um torpedo. Agora é com ele.

É, acho que já era com ele antes, mas agora vamos ver onde isso vai dar. O que acaba conosco é nossa ansiedade e isso também que tem acabado com meu estômago e, em algumas vezes, com as minhas unhas.

Hoje sonhei que perdia o trem. Isso significa alguma coisa?

Postado por Desiree às 5:36 PM | 3 comments



sábado, agosto 26, 2006
constatações sabáticas... e inúteis
Talvez esse post soe preconceituoso em alguns trechos. Tenho meus preconceitos e um dos meus objetivos é conseguir me livrar deles ainda nesta vida. Talvez eu consiga.

Constatei hoje que, apesar de achar que estou numa fase sociopata, sou dependente de pessoas. Desliguei o celular, peguei o iPod e um bom tênis para encarar minha caminhada solitária e saí vagando por aí. Não foi fácil me livrar da minha cama que combina [na cor, já que minah cama anda uma calmaria insuportável] perfeitamente com a capa do meu livro de cabeceira do momento: Pornô de Irvine Welsh. Fecho o livro com aquela inveja de alguém que tem uma narrativa fluída e instigante.

O sol que no início era uma ótima companhia logo se tornou insuportável, então me refugiei em uma mesa de bar e pedi um chopp. Constatei que tomar chopp sozinha o faz menos saboroso, tanto que demorei para sorver o primeiro copo [e último].

Fiquei longos minutos sentada na minha mesa, tomando demoradamente o tal chopp, com o fone no ouvido desligado, pois deu vontade de ouvir a conversa dos três rapazes que sentavam na mesa ao lado. Pasmem! Eles falavam sobre terapia, fim de relacionamento, como é ruim ficar sozinho e paixão. Senti-me em casa, afinal esse é o papo que costuma permear as conversas que tenho com minhas amigas. O problema foi não poder dar pitacos e discordar de alguns pontos.

Constatei também que gosto muito de reparar em como as pessoas se vestem. Isso faz eu lembrar que um dia num passado distante eu prestei vestibular para Moda, quando ainda tinha apenas uma ou duas faculdades em São Paulo com este curso no curriculum. Desisti, pois não é de fato a minha praia. Além de reparar nas pessoas constato também que a maioria se veste muito mal. Menos é mais, mas muita gente ainda não descobriu isso. Percebo que estilo é algo muito importante na minha vida. Se é fútil? E daí?

Constatei que em dias solitários eu tenho recaídas sexuais pelo meu ex, o que fez eu ligar o celular e ligar para ele. Um pedacinho de mim suspirou aliviado ao dar de cara com a caixa postal. Sei mesmo lidar com isso?

Constatei que o celular é uma grande droga, pois mesmo querendo ficar sozinha, insisti em torpedos para pessoas próximas e queridas. Felizmente estavam todas ocupadas e pude assim continuar minha saga solitária.

Constatei que conheço gente demais, pois parei algumas vezes para trocar rápidas palavras com conhecidos e com um deles, eu ousei ligar o celular novamente e tive três ligações simultâneas para atender, o que fez eu desliga-lo em seguida.

Constatei que fico compulsiva quando estou sozinha, pois me sinto carente e mato essa carência fazendo comprinhas. O saldo foi bom: duas revistas, Política de Adam Thirwell e Simone de Beauvoir e Sartre - Tête-à-Tête de Hazel Rowley.

Constatei que não tenho saco para relações à distância. Se está fofo no msn, me irrita e se não pode falar comigo porque tem que sair, me estressa.

Constatei que quando vejo mulheres lindas eu tenho vontade de beijá-las, mesmo que mulheres não estejam nas minhas preferências sexuais e também constatei que se fosse lésbica eu teria grandes chances de ficar sozinha, pois seria bem exigente.

Constatei que minha amiga que alega não arrumar namorado porque está gordinha está enganada, pois vi muitas gordinhas com namorados a tiracolo na minha caminhada. Talvez o problema esteja mesmo no nível de exigência dela.

Constatei também que mulheres "moderninhas" e de cabelos curtos são sempre confundidas com lésbicas. Fui convidada para participar da Semana da Visibilidade Lésbica.

Constatei que preciso de mais sábados assim, pois eles me inspiram e rendem bons saldos, mesmo chegando em casa com o cartão de crédito no limite.

Constatei também que não sei onde colocar as vírgulas e às vezes sou bem fútil.

Postado por Desiree às 6:03 PM | 8 comments



sexta-feira, agosto 25, 2006
neuras femininas
Remetendo ao meu post anterior eu ainda não entendo muito o porquê dessa dependência masculina que temos, mas temos. Uma amiga andou empolgadíssima com um novo amigo. Percebeu certo interesse do outro lado, revirou os olhinhos, contou para os próximos que andava apaixonada e até atiçou o ciúme paterno ao dividir seu novo interesse.

O bom é que quando nos apaixonamos ficamos animadas com tudo, rimos à toa, estamos disposta para qualquer programa, caprichamos ainda mais no visual, cuidamos da alimentação e até pensamos em voltar para a maldita academia.

No final de semana houve até um "charminho" por parte dela em não retornar suas ligações. No dia seguinte eu via no seu msn uma frase que remetia a alguma desilusão. Preocupada lá fui eu investigar o ocorrido:

- Está tudo bem?

- Não. Você não sabe da última.

- O que rolou?

- Ele é gay.

Depois disso houve um certo descontrole na conversa. Conversas no msn nem sempre tem finais felizes porque damos a elas o tom que queremos e nesse caso o tom foi bem azedo. O final foi:

- Estou cansada, vou embora do Brasil.

- E acha que precisa ir embora do Brasil para encontrar alguém?

- Aqui só tem gay.

Enfim, não concordo. Há bastante homens por aí, o problema é que as pessoas não estão muito afim de namorar e os que curtem namorar já estão namorando. Quase lei de murphy. No dia seguinte em uma cerveja na casa de um amigo a conversa foi mais ou menos a mesma, mas com outra interlocutora:

- E aí, sozinha?

- Hmmm.. não sei. - respondi

- Como não sabe?

- Ele foi embora. Disse que volta em breve, mas eu não sei esperar. E você?

- Há dois anos sozinha.

- Hmm... mas você não estava com fulano?

- Não, apenas um casinho aqui, outro casinho ali. Ninguém quer saber de namorar.

Aí lembrei que a primeira amiga acusou de não arrumar alguém por estar com alguma maldição, depois acusou seu próprio corpo de não estar no padrão e os homens serem exigentes com isso. Olhei para a minha outra amiga com seu rosto bonito, com seu corpo em cima, com sua independência, com seu bom papo e fiquei pensando o que procuram os homens, pois já as mulheres parece que meu amigo respondeu no final do texto anterior.

Postado por Desiree às 6:55 PM | 5 comments