quarta-feira, janeiro 04, 2006
decidi ter uma paixão virtual
Tenho que confessar: estou de quatro virtualmente falando. No início da internet eu estava com uma tremenda dor de cotovelo e tentando superar o fim de um quase-casamento. Enfiei-me no mundinho virtual, que era muito recente [pelo menos no quesito "acesso'] e passei a ter casinhos virtuais [todos furados, claro].

Um dia deu certo, arrumei um namoradinho, nos conhecemos, bateu aquele "tchan", viajamos um pouquinho, fizemos muitos planos e quando tudo estava perfeito, eu cansei. É que depois de um quase-casamento o que eu menos queria era algo muito sério [mas não soube isso tão rapidamente]. Desisti de relacionamentos virtuais, pois deixei de acreditar neles [mesmo que o último não deu certo porque eu não quis].

Como tudo vem como uma grande provação nesta terra, eu fui apresentada virtualmente ao amigo de uma amiga, porque ele estava tentando curar uma dor-de-cotovelo [estou ficando expert no assunto] e ela achou que eu era a pessoa indicada para tal.

Começamos nosso contato pela telinha branca de borda azul clara do msn. Para a minha sorte, ele tem webcam e eu posso vê-lo exatamente como é. Para o azar dele, ele apenas se deleita com as melhores fotos que eu escolhi da minha pessoa para se iludir um pouquinho comigo.

O problema é que estamos a quase um ano luz de distância em tudo, mas os olhos azuis dele e o sorriso que fica estampando na telinha branca de borda azul clara do meu msn me comove e derrete. Pronto, decidi ter uma paixão platônica, pois adoro fantasiar e me iludir um pouquinho de vez em quando. Em especial quando se trata de alguém que parece os rapazes que desfilam pelas páginas das minhas revistas Vogue [tá, tem um certo exagero nisso, mas como eu falei, estou na fase da ilusão].

Ontem, enquanto eu esperava um amigo cheio de más intenções chegar na minha casa, eu o provocava um pouquinho, mas bem pouquinho, porque nesta paixão platônica eu decidi apenas instigar. Ele é tímido, mas sempre que conversa comigo pega uma taça de vinho [talvez para se soltar um pouquinho]. E aí eu fico me deleitando com sua boca sorvendo o vinho, sua língua encostando na taça, o sorriso maroto, o olhar atento como se estivesse me vendo, a sombracelha que levanta quando solto uma frase absurda, a risada e a cabeça indo para trás quando falo uma bobagem. Porque é assim: eu falo e ele reage fisicamente e fala bem pouquinho.

Nossa relação virtual começou na semana passada e vai bem, obrigada. Mando para ele todas as músicas que estou ouvindo, falo sobre os lugares que vou leva-lo quando ele vier me visitar, mostro fotos da minha casa, conto sobre o livro que estou lendo, as festas que vou e agora prometi que terei uma webcam também, mas também é ilusão, porque talvez eu enrole-o neste quesito.

Eu só quero ver é quando ele me disser "comprei a passagem e estou chegando amanhã, você me busca no aeroporto?".

Às vezes eu tenho medo da realidade, ah, e do escuro. E agora estou avaliando o meu medo de ficar sozinha enquanto ouço PJ Harvey.

Postado por Desiree às 6:00 PM |



1 Comments:
Anonymous Randall escreveu...

Eu sou total a favor desse tipo de aproximação, qualquer que seja o fim. É muito mais seletivo, guarda uma distância segura nos momentos inseguros iniciais, e dependendo do caso, é possível sumir, simplesmente evaporar!

Em alguns casos, quando vai rolando evolução, mal acreditamos nas afinidades... tem os perigos tambám, mas...

Que se foda, pois você mesma disse que sempre se pode sobreviver sozinho, ouvindo PJ HArvey. Ou Ryan Adams...

11:42 PM  

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