sexta-feira, dezembro 16, 2005
mulheres e seus dilemas inúteis
Hoje aconteceu um episódio engraçado. Como a mulher oscila no humor quando há homem na jogada. Tudo pode estar ótimo, mas se aquele telefone prometido não rolar, ferrou.... manda qualquer bom humor para o espaço.

Há tempos atrás, meu ex-namorado sumiu. Disse que voltaria de viagem num sábado e depois disso não atendeu mais o telefone. Eu, que estava ótima, comecei a entrar em pleno declínio. À noite bati o carro, bebi além da conta e no domingo eu passei muito mal [e nem foi por causa da bebedeira, estava doente por estar me sentindo "mal amada"].

Claro que tudo piorou quando rumei ao shopping para tentar digerir algo, pois há quase 24 horas nada descia, tamanha era minha indigestão com o sujeito. Lá estava eu na tentativa de melhorar o humor quando ouço me chamarem:

- De!

- Olá, tudo bem? - quase com uma palidez mórbida e olheiras profundas

- Eu to, mas você não parece nada bem....

- É, to meio mal de estômago. - porque obviamente eu jamais assumiria que estava mal por causa de um homem

- Ah, tenho uma coisa para te dizer: toma cuidado com o seu namorado.

As pernas cambalearam, a pressão caiu e me segurei no pilar ao lado.

- Ahn?

- É, vi ele ontem numa festa com outra a tiracolo.

Como ele ousou me contar assim de sopetão? Não tive tempo nem de me preparar para a notícia de que estava sendo traída. Tá, eu vou contar: nesta época estávamos em começo de namoro e ele vivia tentando boicotar. Quando eu o pedi em namoro, ele disse que aceitaria, mas desde que fosse um relacionamento aberto. Pensei, pensei, pensei e resolvi topar, mas deixando claro que as regras valiam para os dois.

Eu estava de quatro por ele e obviamente ele foi o único a tirar proveito do tal acordo, porque eu me comportava inacreditavelmente bem, pois nem reparava mais nos rapazes que, na época, resolveram me testar. É, porque é sempre assim. Você começa a namorar e todo mundo passa a te querer. Uma vez vi uma explicação [confesso, foi na Capricho] plausível: quando namoramos, estamos felizes, portanto mais atraentes. Mas isso nem vem ao caso. O caso era que eu já não estava mais preparada para o tal relacionamento aberto e queria esgana-lo.

Despedi-me do meu amigo antes que ele soltasse mais detalhes do que viu, pois eu é que não queria saber. Minha curiosidade não chega a tal ponto. Continuei passando mal e não consegui comer. Na segunda-feira eu estava praticamente de cama. E claro, ele deu as caras e me ligou como se nada tivesse acontecido. Não consegui manter a pose, tirei todo depósito de gelo dentro de mim e joguei em cima da cabeça dele. Foi uma semana sem se falar, porque eu não queria vê-lo na minha frente.

No domingo, lá estava eu dançando com amigos e tentando parecer bem quando ele me liga. Meia-hora depois aparece e eu começo o meu repertório de mentiras [tsc, tsc, tsc... mas eu precisava disso]:

- Você sabe o que é ver quem você gosta beijando outra pessoa?

Ele nem sequer se deu ao trabalho de se mostrar surpreso. Esboçou um sorriso meia-boca e perguntou:

- Mas o que é um beijo? Eu gosto é de você.

- Tá bom, no dia que você me ver beijando outro cara, talvez você saiba do que estou falando. E fiquei tão mal, que saí daqui alterada e bati o carro. - e nunca tive coragem de desmentir

Burra do jeito que sou, não demorou muito para eu voltar a me jogar nos braços dele. De qualquer forma, ele não tinha me traído, afinal em nenhum momento ele prometeu "serei fiel a você". Encurtando a história, ele começou a ficar de quatro e quando se deu conta de que eu poderia ficar com outras pessoas, me chamou para uma conversinha pé de ouvido e disse:

- Acho que relacionamentos abertos não funcionam. Vamos fechar essa história?

Aliviada, feliz e aceitei de bom grado, até porque a essas alturas eu andava pensando seriamente de pular fora do barquinho, porque não estava dando conta da minha insegurança cheia de fundamentos.

E nem era essa história que eu ia contar. Tentei apenas mostrar o quanto os homens podem nos deixar maluca [e isso nem é novidade... as pessoas enlouquecem as outras o tempo inteiro]. Minha amiga está apaixonada por um cara. O cara parece também afim dela. Hoje armaram uma cervejinha, porém a minha amiga estava sem celular e propôs que ele ligasse no meu para combinarem de se ver mais tarde. Viemos para a minha casa. Ela ficou roendo as unhas de ansiedade com a ligação dele. Pulou da cama quando o despertador do meu remédio tocou e ficou decepcionadíssima porque não era ele.

O humor foi piorando. Ela começou a praguejar. Disse que não queria mais nada. Isso e aquilo. Tudo uma grande mentira, claro! Aí um amigo ligou, outra amiga passou aqui para me pegar e quando fui dar tchau à esta minha amiga, que estava de plantão esperando a tal ligação, vociferou para cima de mim, pois ninguém a tinha convidado para o jantar, ela sempre faz jantares para as pessoas, mas parece que agora ninguém gostava dela. Ficou brava mesmo!

Eu, que ando numa fase pavio curto, apenas disse:

- Você está puta porque ele não ligou e eu não tenho nada a ver com isso, assim como meus amigos não tem nada a ver com isso. Eles não precisam te chamar para tudo que me chamam e isso não quer dizer que eles não gostem de você. Você está sendo infantil. Tchau, que eu estou atrasada e se ele ligar, eu peço para ele ligar aqui.

E fui... meia hora depois o sujeito liga e eu dou o telefone de casa. Quinze minutos depois, ela liga pedindo desculpas e que eu tinha toda razão. Claro! E aí eu fiquei rindo sozinha do quanto somos vulneráveis e, ah, bobas. Grandes bobocas que se deixam transformar em marionetes. Eu já fui uma e jurei [e sempre quebro minhas promessas, pois não sou muito boa nisso] que não serei mais.

E ainda fazendo um adendo. Estávamos no carro e ela solta essa:

- Ah, eu vou me fazer de difícil.

- Difícil do que?

- Não quero que role na primeira vez, pois não quero que ele ache que eu sou uma piranha.

Tsc, tsc, tsc... tá vendo como eu tinha razão no post anterior? Eu concordo que quando as coisas rolam devagar, elas são mais gostosas e instigantes. Se eu me apaixono por alguém [antes de ter rolado alguma coisa], eu também prefiro que as coisas aconteçam devagar, mas achar que alguém é piranha [e não tinha outra palavrinha melhor? essa a gente usava na minha época de colégio] só porque deixou tudo acontecer na primeira vez, é ser machista demais [mesmo que seja mulher].

Postado por Desiree às 12:37 AM |



2 Comments:
Blogger ciganaglobetrotter escreveu...

adoro te ler....sim....gosto muuito...esse seu jeito bem bem humorado....mas, misterioso de ser e dizer o que pensas da vida....Felizes dias pra ti.

7:46 AM  
Blogger Ota escreveu...

mulheres... quem as entende?

10:58 AM  

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