quinta-feira, dezembro 15, 2005
momento drama
A vida é irônica e todo mundo sabe. Eu gosto do sarcasmo que permeia nosso dia-a-dia. Nunca gostei do "correto demais", pois é se moldar em princípios que considero falidos que faz com que aos poucos a gente vá se afastando de si mesmo ao ponto de não saber mais quem é.

Eu até o final da adolescência tentava o tempo inteiro me moldar no que falavam que era o certo. Sempre ouvia a frase "o que os vizinhos vão achar disso?" da boca dos meus pais. Hoje eles se calaram e acho até que admiram no que eu me tornei [e não sou das figuras mais fáceis].

Sem qualquer prepotência eu não acho que sou uma pessoa comum, mas ralei muito para chegar aqui. Não no topo, porque dele estou longe, mas estou cada vez mais próxima de mim mesma.

Eu [geralmente] faço o que eu quero, na hora que eu quero e quando eu quero. Sou recriminada por uns por ser assim, alguns [poucos, por favor] chegam a ter medo de mim. Isso soa tão estranho, porque sou afável, amiga e divertida. Falo o que eu quero e se sei que quem está me ouvindo não quer ouvir algo, eu simplesmente não falo, mas evito mentir e criar ilusões. Hoje isso aconteceu logo pela manhã:

- O que você achou desta roupa que estou vestindo?

- Sinceramente? Não gosto desta sua calça.

Ela me olhou desapontada e balbuciou:

- É, eu sei. - mas claro que não sabia, pois eu nunca comentei - mas eu gosto dela.


Obviamente ela trocou a calça em seguida.

Curiosamente os gays são os que menos me julgam. As amigas acham que sou solta demais. Os amigos acham que sirvo mesmo é para ser amiga, nada mais. Apenas porque dou vazão às minhas vontades, mas eu me apaixono, eu me entrego, eu amo, respeito e sou a mais dedicada num relacionamento [claro que isso não quer dizer que eu abra mão do meu espaço, porque isso eu me nego a fazer], mas se estou sozinha e estou numa fase em que quero mesmo é ficar sozinha por que eu tenho que ficar comportadinha em casa? Por que, como menina, eu não posso em divertir?

Isso pode soar tão retrógrado, mas sim, as pessoas ainda pensam assim; sim, os homens [na maioria] são grandes machistas; sim, eu ando de saco cheio de tantas regras besta; sim, eu não quero um casamento de propaganda de margarina; sim, eu sou livre; sim, eu pago minhas contas; sim, eu declaro imposto de renda; sim, eu mantenho política da boa vizinhança; sim, eu ando achando muita gente chata; sim, eu não tenho paciência com pessoas carentes demais; sim, eu não gosto que me bajulem [só um pouco e de vez em quando]; sim, eu sou louca e é isso que faz eu manter minha sanidade mental e meu equilíbrio [por mais que você diga que isso é paradoxal demais]; sim, eu tenho alguns preconceitos que eu tento me livrar; sim, eu tenho minhas inseguranças; sim, eu estou sem dinheiro para fazer terapia; sim, meu coração está vazio e ótimo; sim, eu amo meus amigos e sim, eu estou feliz [mesmo estando fanha e com a sensação de que um caminhã passou por cima de mim hoje].

E talvez só quem me conheça, poderá entender um pouco este post... ou não.

Postado por Desiree às 8:42 PM |



1 Comments:
Anonymous Randall escreveu...

Você já deve ter percebido que tem dois novos e ardorosos leitores, né?

Se tornou um saudável vício diário ler o seu blog, muito bom!

1:00 AM  

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