terça-feira, setembro 05, 2006
o amor
Enquanto eu zapeava com o controle remoto na mão acabei parando na Oprah, que costuma ser divertida. Peguei pela metade e não sei exatamente qual era o tema discutido, mas rolava um discurso dramático de uma moça muito acima do peso [mas muito acima mesmo]. Narrava sua história muito triste e que a cada fim de um casamento, ela refugiava-se na comida para se consolar. Já no terceiro casamento [e olha que tem umas que nem casar conseguem] percebi que ela havia atingido um peso desolador. O que achei curioso foi a história do seu casamento atual com um personal trainner [e eu achando que ele tinha sido a grande solução dos problemas dela]:

- Ele sempre me ofende, diz que sou balofa e que vou ver o valor que tenho quando ele me largar. É duro ouvir isso de quem ama.

Não entendo esse tipo de relação e sei que ela é comum, mas a pergunta é "como alguém fica com outra pessoa que a ofende o tempo inteiro"? O que é o amor? Lembro-me dos meus tempos de teatro em que o tema para a nossa peça era AMOR. A escola chamou um doutor especializado em amor que deu uma palestra fantástica, mas eu fui uma das poucas que gostou. Qual foi o problema? Ele simplificou o amor [e olha que ele era psicanalista e eu romântica] falando sobre a transferência de amor e o que a sensação que o outro nos proporciona, ou seja, você ama a sensação que ele lhe causa. Quase simples assim.

Tem um texto do Fernando Pessoa que diz "porque quem ama nunca sabe o que ama, nem por que ama, nem o que é amar". E eu concordo porque no caso da moça ofendida pelo marido grosso parece não haver motivos para amar alguém que a trata assim, a não ser que a grande sensação boa da vida seja sofrer.

Eu já tive um relacionamento conturbado em que várias vezes eu me questionei o porquê de continuar nele. O que eu amava em alguém que adorava agredir a minha gastrite? Ele nunca me ofendeu de fato, mas me aporrinhou como poucos. Hoje, muito friamente, eu percebo que a obsessão que eu tinha em ficar com ele era justamente de parecer perfeita a alguém que não me via desta maneira. Ego! E mesmo assim esperneei e passei meses lacrimejando o final da relação que me deu uma vida mais leve mesmo estando sozinha [olha a dependência do outro aí].

Tudo isso só faz eu acreditar que as pessoas se mantém em relações tortuosas por insegurança de ficarem sozinhas, mesmo insconciente disso, afinal "namorar" no meu dicionário particular significa "curtir e ter prazeres, seja ele qual for" o que bate de frente com relações neuróticas e pessoas que adoram fazer da nossa vida um inferno.

O inferno são os outros e muita vezes ele bate à nossa parte, entra sem pedir licença, senta e fica ali para sempre.

Postado por Desiree às 8:47 PM |



3 Comments:
Blogger Cristiano Contreiras escreveu...

O Amor sempre nos surpreendendo, sempre embalando. Doces paradoxos.

10:36 PM  
Blogger Mary escreveu...

Oi! Gostei do seu blog!

Sobre o texto, tenho que pensar um pouquinho antes de comentar... O amor engana, pode ser o céu, o inferno ou os dois. Pode ser difícil para algumas pessoas distinguir uma relação sadia de uma doentia. Mas serve como aprendizado... hehe

beijos

1:06 AM  
Blogger nadja soares escreveu...

concordo em genero, numero e grau!
ô coisinha dificil essa que é o amor!

9:06 AM  

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