domingo, fevereiro 10, 2008
Maria do Bairro - uma novela dramática
Encontrei uma amiga que eu não via há tempos e depois da cerveja e a novela relatada, eu entendi o seu sumiço. Gosto de histórias picantes, mas as enroladas demais me cansam. Não deixo de assumir que, às vezes, eu acabo tendo algumas. Talvez seja para também ter alguma história para viver enquanto não se tem muitas opções (e emoções) à volta. Realmente não sei, mas a história dela me fez questionar o porquê nos deixamos envolver por histórias enroladas.

Há um tempo atrás ela começou a sair com um cara. Não havia compromisso, cobrança. Havia muito papo, risadas, cerveja e um pouco de sexo, que era sempre bom. O problema começou quando ela se deu conta de que estava apaixonada. Talvez já estivesse antes, mas não tinha parado para pensar. Quanto a ele, ela não tinha muita idéia do que "ela" era para ele e talvez não tenha até hoje. Claro que se considerou especial para ele algumas vezes, mas muitas vezes se sentiu "protelada", mas a paixão não a deixou escapar.

Foram alguns meses e no máximo 5 encontros e todos bem intensos, porém se falavam todos os dias pelo messenger (ela o namorava virtualmente). Mesmo na falta da eminência de uma história mais profunda, ela foi se deixando levar com os vários furos dele e com ele fingindo a não existência dela nos finais de semana. Quando ela me contou esta parte, eu perguntei se ele namorava ou era casado, mas ela garantiu que neste meio tempo não. Confesso que ela não me convenceu, afinal em meses por que alguém, que ela disse que a considerava especial, a ignoraria nos finais de semana e sempre tinha uma boa desculpa para as promessas de aparição em alguns lugares em plena sexta-feira, que obviamente nunca ocorreu? O mais curioso foi ela me confessar que sonhava passar um mísero final de semana com ele ou mesmo se jogar em alguma balada juntos. Achei tão pouco, mas enfim....

Nas férias eles foram para lugares muito próximos em datas muito próximas, mas mesmo ela com uma expectativa de encontrá-lo por lá e que era totalmente possível, chupou o dedo porque os interesses dele eram outros. Voltou de férias com a mala de saudades maior do que a bagagem de compras, mas foram quase três meses até ele ter um espaço na agenda para poder encontrá-la, mesmo confessando que andava mexido por causa dela. Ela disse que a essas alturas já estava desiludida em relação a ele e magoada pela forma como se viu tratada, afinal nós duas admitimos que quem quer faz, quem não faz acontecer é porque não quer. Procrastinar para mim é falta de interesse.

E lá foi ela ansiosa encontrá-lo depois de tanto tempo, mas com várias coisas entaladas na garganta que não sabia se falaria, porque já não tinha mais certeza se valia a pena qualquer entendimento de tudo que rolou. Mas, não é porque ela é minha amiga, mas eu tive que interrompê-la e dizer "ai, mulher é tudo burra mesmo, né?". Tá, eu também já fiz isso, então eu me incluo no pacote das burras, afinal não olhamos para o espelho pela manhã e repetimos religiosamente "eu só quero quem me quer"? Mas não, a gente sempre quer quem não quer a gente. Eita natureza humana ruim de entender. Nós duas nos assumimos como masoquistas. Adoramos um melodrama e algum ser a nossa volta nos enrolando. Por que não conseguimos seguir as malditas bíblias femininas?? Porque às vezes não passamos de "mulherzinhas".

Enfim... voltando à novela. Antes deste encontro, ela, sei lá porque raios, ficou amiga de um amigo dele, que pelo que ela sabia, estava por dentro do que rolava. Então tratou de ir cheia de dedos porque não queria misturar as coisas e nem fazer com que o moço em questão fosse o motivo de elo na amizade entre eles. O problema é que o tal amigo se tornou próximo demais e começou a pintar um clima entre os dois e uma ansiedade por um encontro ao vivo. A minha amiga que andava carente e desiludida se deixou levar e quando viu estava no sofá dele tentando se render às tentativas dele beijá-la. E o que a fez não seguir em frente foi o moço em questão ter vindo à tona no assunto e o amigo fingir que não sabia de nada e pior, soltar "sem querer" (?) que o moço era casado. Ela ficou arrasada e na sua vulnerabilidade acabou beijando o amigo, mas fugiu a tempo de não deixar as coisas esquentarem.

Chegou em casa com um nó gigante na cabeça que não parava de girar. Claro que tudo fazia sentido: os furos, os perdidos nos finais de semana, a distância que ele sempre deixou existir entre eles, a confissão de que ele andava gostando dela, mas que estava confuso porque a ex tinha virado atual e ele não sabia o que fazer, o que justificava o sumiço dele por meses após a volta dela de viagem. Claro que ela se sentiu idiota e novamente eu tive que repetir "ah, não liga não, você não é a única, eu também já me deixei enganar", mas não tinha o que fazia ela se conformar.

Corta! Volta para o último encontro e as coisas entaladas na garganta, que eu não tenho dúvidas de que também estaria, mas como eu ando uma grossinha de primeira linha, eu já teria mandado ele e o amigo para o inferno, afinal eu sempre acreditei no ditado masculino "eu perco a mulher, mas não perco o amigo" (isso ainda vale?) e quem está afim faz e não enrola.

E lá estavam os dois tomando cerveja, contando causos e ainda para o ódio dela (e falta de sensibilidade dele?), tendo que ouvi-lo contar uma aventura amorosa/sexual que teve na viagem que fez na mesma época que ela (aquela que ela queria encontrá-l0), mas claro, ela sorria, bebia e fingia que nada a estava atingindo, apesar de naquele momento ela sentir vontade de mandá-lo para o inferno. Foi quando eu a reencontrei. Ela me pareceu bem e feliz. Fui para a minha mesa e depois nos reencontramos por acaso no banheiro e aí me deparei com minha amiga chorando. Que merda ver uma mulher chorar no banheiro de um bar! Eu nunca sei como lidar com essa situação e o que dizer. Eu abraço ou faço uma piada? Ou eu finjo que não a enxerguei devido o meu alto estado alcóolico? O que eu fiz foi anotar meu telefone e pedir para ela me ligar, porque minha curiosidade feminina queria saber o que o bonitão que estava na mesa com ela andava provocando na vida da minha amiga.

Depois eu vi os dois saindo do bar, ela tentando disfarçar as lágrimas e se manter em pé, porque pelo que percebi ela bebeu além da conta e por isso (acho) desabou, porque essa minha amiga sempre foi a mais durona de todas nós. Em anos de amizade eu nunca tinha visto ela chorar. É o tipo que sempre faz piada das próprias desgraças, mas lá estava ela frágil como um passarinho por causa de um homem.

Ela disse que acabou contando sobre o amigo e que ele sustentou a mesma história de sempre, que era separado há tempos, mas que tinham voltado a sair em novembro e que agora estão "quase voltando", inclusive se vêem todos os dias. O que é quase voltando se eles se vêem todos os dias? Ela, no alto da sua bebedeira, nem quis discutir muito, porque preferia acreditar nele não só porque gosta dele, mas porque disse que o que ela sempre gostou nele era sua extrema sinceridade e prefere acreditar que não se enganou em relação a isso. Eu, como não o conheço, preferi não esboçar qualquer opinião a respeito (mas admito que não tive uma boa impressão).

A minha amiga está bem, não chora por ele e continua tendo seus casinhos eventuais, pois se há algo que eu admiro nela é que nesses meses todos ela, mesmo querendo uma história diferente, não ficou bonitinha sentada no sofá esperando por ele. Ela saiu muito, conheceu um monte de gente, teve alguns casinhos e até dispensou alguns bons partidos, o que ajudou ela não ter sua auto-estima afetada. No dia que saímos ela foi roubada de mim pelo homem mais interessante da festa, que se desdobrou em elogios do quanto a acha uma mulher interessante. Quando a devolveu, eu reconheci seu velho brilho nos olhos e o sorriso maroto de sempre. Era minha amiga de volta! Eu voltei para casa me perguntando o porquê alguém como ela se deixou abater como um pássaro ferido numa história que mais lhe rendeu expectativas do que "atos" de fato. A sua resposta foi de que há tempos alguém não mexia com ela tanto quanto ele mexeu e que para ela foram boas sensações, das quais ela sentia saudades de ter.

Às vezes temos uma paixão tão foda que achamos que não nos apaixonaremos na mesma intensidade por outra pessoa, mas aí lembramos de todas as paixões que tivemos, do tempo que as apagou deixando apenas as boas lembranças e das outras que vieram. E assim como quem quer faz, cada um vive a história que está afim, por isso eu desisti de pensar nas possibilidades que fizeram minha amiga se jogar de cabeça nesta história porque quando eu penso nas minhas, eu vejo que não me arrependi de ter vivido uma delas sequer e parece que a minha amiga também.

Quem vai entender quando a nossa natureza resolve ser burra?

Postado por Desiree às 5:14 PM |



2 Comments:
Blogger Alexandre escreveu...

tem paixões que nos deixam cegos, e claro, isto não acontece só com vcs mulheres. e quem olha de fora acha que somos burros mesmos, e a gente tb acha, mas é mais forte que a gente.

agora, uma paixão correspondida não tem nada igual, ficamos burros e cegos tb, mas neste caso são dois, no mesmo barco e remando junto, tudo passa fazer sentido, e coisas simples se tornam grandes.

8:38 PM  
Anonymous Mandi escreveu...

A boa notícia é que sua amiga, você ou eu não fomos as primeiras a passar por esse tipo de situação, uma paixão arrasa auto-estima...
A má notícia é que não seremos as últimas.

Bom é que o tempo passa, as feridas são cicatrizadas e a gente consegue ser feliz. Hoje eu sou feliz. E muito bem-acompanhada...

8:07 AM  

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